IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Passagens

Pequenas ações que transformam as cidades

O professor Valter Caldana, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e conselheiro do Instituto Cidade em Movimento, participou de seminário que integrou as atividades paralelas da recente exposição Passagens, Espaços de Transição para a Cidade do Século 21, promovida pelo IVM em Paris de 6 de maio até 5 junho. Em entrevista ele fala da experiência e do que traz do evento. Leia.

Cidade em Movimento – Quais são suas impressões sobre a exposição Passagens e o que trouxe que possa ser aplicado no Brasil?

Valter Caldana – Para começar, a exposição foi extremamente bem montada e completa no ponto de vista da abordagem do tema. Foram apresentados trabalhos muito bem construídos pelos curadores e muito bem montados pelos expositores. Pudemos ver casos concretos espalhados pelo mundo e aprender com eles, todos com grande qualidade. Além disso, os debates – a seção que participei – sobre o tema, a partir de trabalhos de estudantes do mundo todo foi muito importante. Foi uma oportunidade ímpar para ver e discutir o tema, bem como aprofundar a questão da mobilidade urbana com professores, arquitetos e técnicos de diversas nacionalidades a partir dessas experiências didáticas.

Cidade em Movimento – Como o senhor e os demais arquitetos do mundo percebem essa questão das passagens e de que forma elas são colocadas em projetos urbanísticos?

Valter Caldana – Hoje, no mundo todo, não existe projeto de arquitetura isolado no lote em que não se pense na mobilidade, nas passagens. Essa era uma postura – já superada – que se via até o começo do século 20. As cidades ganharam importância na vida das pessoas e atualmente a questão de mobilidade volta com força total neste século. Hoje, as pessoas necessitam dessas vias, pois estamos “ligados” o tempo todo. Onde quer que estejamos, estamos também em outros lugares, conectados. A arquitetura deve responder a essa questão, pois as passagens são, de alguma forma, a mudança de um estágio de vida fechado para algo mais aberto. De modo geral, no mundo todo, os arquitetos estão vendo e se preocupando com esse tema. De Nova York a Pequim ou de Paris a São Paulo, não há quem não pense dessa forma.

Cidade em Movimento – Quais as principais diferenças – ou semelhanças – nessas experiências?

Valter Caldana – As preocupações são comuns a todos os países. Se não são idênticas, são ligadas por suas particularidades e realidades locais, ou seja, na essência, são as mesmas. Isso faz com que se torne mais claro que a questão da metropolização e do protagonismo urbano seja ator principal no mundo todo, independentemente da cultura.

Cidade em Movimento – Em razão dessas diferenças e até das maiores possibilidades de interferência urbana que países mais antigos, como o Brasil é visto no tratamento da questão das passagens e da mobilidade em cidades mais novas?

Valter Caldana – Na realidade, há uma curiosidade muito grande porque a nossa urbanização é ainda muito irregular. Nós temos vastas áreas de territórios a serem urbanizados ou precariamente urbanizados. O que não se vê na Europa, mesmo em se tratando de Portugal e Espanha, por exemplo. Eles querem entender como vamos superar essas questões, até porque a arquitetura brasileira é sempre muito bem vista e reconhecida lá fora, em função da nossa criatividade. Mas chama a atenção deles o fato que no Brasil convivemos com as diferenças de uma maneira bastante distinta da forma que eles convivem. Na Europa, eles começam já tendo problema até para reconhecer as diferenças e contradições. O que acontece é que, de fato, o nosso modo de tratar essa questão acaba sendo mais amplo e criativo.

Cidade em Movimento – Essa troca de experiência é positiva para nós (e para eles também)? Como vê os intercâmbios internacionais?

Valter Caldana – Temos recebido jovens arquitetos franceses aqui na faculdade (Mackenzie) e também professores ou profissionais mais gabaritados, como forma de conhecer nossa criatividade e saber como tratamos essa questão. Por outro lado, a Europa tem rigor construtivo, sistematização dos marcos legais e uma série de questões financeiras e jurídicas muito mais organizados que nós, com os quais precisamos aprender.

Cidade em Movimento – Enfim, quais os principais resultados e mensagem que o senhor traz da exposição e dos debates?

Valter Caldana – Indiscutivelmente, o fato de podermos trocar ideias, tanto de experiências projetuais quanto de didáticas, por um lado. Por outro, o fato de se organizar esse conhecimento em uma exposição e futuramente em uma publicação faz com que você dissemine esses resultados de uma maneira bastante eficiente. Assim, você acelera os processos de transformação em várias partes do mundo.

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