IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Passagens

Jardim Ângela: quando o coletivo é mais forte

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A revitalização de uma escadaria no Jardim Nakamura, distrito do Jardim Ângela, ocorrida nos dias 10 e 11 de junho, teve início bem antes, em 2014, indiretamente. Nesse ano, a ONG Cidade Ativa participou e foi uma das ganhadoras  do Prêmio Mobilidade Minuto, organizado pelo Instituto Cidade em Movimento (IVM), com o projeto Olhe o Degrau.

Quando o IVM começou a definir ações de seu estudo para a região do distrito Jardim Ângela , por meio do Projeto Passagens, convidou a ONG para participar e estudar a mobilidade das escadarias no bairro. Passagens tem o objetivo de registrar e fazer intervenções para a melhoria dos pequenos articuladores da mobilidade, tais como passarelas, túneis, pontes, escadarias, entre outros, que se encontrem inadequados (seja por más condições, instalações equivocadas ou por atender apenas a lógica do trânsito em detrimento dos pedestres). Após estudar várias regiões da cidade, o IVM identificou o Jardim Ângela como tendo carência de soluções de mobilidade. Foi nessa fase que o Cidade Ativa entrou. Foram identificadas 14 escadarias na região e criado, assim, o projeto Olhe o Degrau – Jardim Ângela.

De acordo com Rafaella Basile, coordenadora de Projetos e Pesquisas da ONG Cidade Ativa, em outubro de 2015 IVM e Cidade Ativa concluíram o estudo, definindo a escadaria da Rua Miguel Dionísio Valle, no Jardim Nakamura, para a realização dos trabalhos. “Daí em diante, o Cidade Ativa articulou as ações, desde as discussões com a comunidade à procura de patrocínio para a execução do projeto de revitalização”, conta.

A escolha da escadaria, segundo ela, teve como princípios sua localização, uso e fluxo. Ela fica no meio do bairro, está em frente a uma escola e com vocação de ser um local de encontro da população. Ao longo do processo, em conjunto com o IVM, o Cidade Ativa conheceu lideranças da comunidade e isso foi fundamental para o desenvolvimento da ação realizada nos dias 10 e 11 de junho. “A coisa toda fluiu muito bem. A gente com vontade de fazer a requalificação do escadão e a comunidade desejosa de mudanças.”

O Cidade Ativa foi atrás de patrocínios para desenvolver a ação. A Bayer patrocinou toda a requalificação da escadaria. Além disso, comerciantes locais doaram azulejos para montagem de um mosaico nas escadas (outra parte foi comprada). A GED Inovação, que produz ecotintas, parceira da ONG desde a reforma da escadaria de Pinheiros, cedeu as tintas para os grafites. “Tudo foi casando de forma muito legal. As empresas e os profissionais, mas nada aconteceria se não tivéssemos o apoio da comunidade”, afirma.

Ela destaca a participação de associações dos moradores locais como a Família Nakamura (FNK), responsável por um projeto social com crianças e adolescente, por meio do esporte e das artes; o Unidos da Macari, time de futebol do bairro; o Ciclo Social Artes, grupo de grafiteiros que cuidou da pintura e dos grafites; a direção da Escola Estadual Oscar Pereira Machado, Associação de Pais e Mestres e Grêmio Transformação Jovem, formado por seus alunos; e a Zoom Urbanismo, Arquitetura e Design, que cuidou do mobiliário urbano, com oficina de marcenaria na confecção de bancos e escorregador para o espaço, junto com mais dezenas de crianças.

O que vem depois? – O Cidade Ativa vê esse tipo de ação muito mais como educativa em relação a algo simplesmente estético. Para Rafaela, o mais importante é engajar a comunidade a ponto de ela ver a escadaria transformada como um primeiro passo, que pode ser estendido a qualquer escadaria ou passagem do bairro. “O ideal é que a própria comunidade se conscientize e se mobilize para mudar suas condições. Basta as pessoas se envolverem e se engajarem”, defende.

Rafaela acredita que cada pessoa – com suas famílias e vizinhos – pode mudar uma realidade e melhorar os locais por onde passa diariamente. O ideal é que vejam como esses espaços públicos – e a área é carente de espaços assim – podem ser usados como praça, área de lazer e de encontro. “Os moradores, sem dúvida, serão responsáveis pela zeladoria desse local. Serão eles e não nós os responsáveis para que a realização deles mesmos se conserve e se amplie”, ensina.

Mas esse projeto não termina na revitalização da escadaria. O IVM tem uma segunda fase já em andamento e o Cidade Ativa prevê próximos passos de articulação com a subprefeitura de Santo Amaro para urbanização do local, com colocação de corrimãos, troca de iluminação para luzes de LED, reforma da pavimentação etc. “Não podemos fazer esse tipo de intervenção, mas podemos mostrar o desejo da população. Os moradores se importam com o local e é dever do Poder Público fazer o que precisa ser feito”, conclui.

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