IVM anuncia a equipe vencedora do concurso nacional Passagens Jardim Ângela

Após dois anos de pesquisa no território, 45 dias para recebimento das propostas e 1 semana intensa de workshop chega ao fim o concurso nacional Passagens Jardim Ângela. Com uma proposta que estabelece um roteiro de diálogo urbano, rompimento com a homogeneidade da periferia e promoção do protagonismo dos moradores do Jardim Ângela, o júri final nomeou como vencedora a equipe do Estúdio+1.

Formada pela gestora ambiental Ana Luiza Gnaspini e pelos arquitetos e urbanistas Tiago Brito, Ana Fernandes e Luis Fernando Milan, o grupo desenvolveu uma proposta para as passagens do Bambuzal e do Fundão.  Tiago explica que o projeto foi pensado em três escalas: conexão com as escalas de transportes, redução da escala temporal agregando valor com atividades comerciais dentro das passagens  e composição de um itinerário.”O respeito, a urbanidade e a provocação foram os pilares da nossa proposta. E poder desenvolver a proposta aqui foi muito interessante, porque a semana foi construtiva e de muitos trocas. É o começo de uma grande amizade profissional que compartilha dos mesmo ideias da cidade que acreditamos”.

Equipe do Estúdio+1: Luis Fernando Milan, Tiago Brito, Ana Luiza Gnaspini e Ana Fernandes 

De todas as 12 edições do concurso já realizadas no mundo inteiro, o Brasil teve recorde de inscrições de norte a sul do país com equipes multidisciplinares envolvendo arquitetos, urbanistas, artistas, produtores culturais, ativistas urbanos, comunicadores entre outras profissões. “Estamos felizes pois todos os projetos finais conseguiram pensar em iniciativas que gerem maior impacto com a mínima intervenção e, principalmente, envolvendo a comunidade local”, avalia Luiza de Andrada, diretora-executiva do IVM Brasil.

Carles Llop, arquiteto e urbanista de Barcelona e um dos jurados do concurso,  pontua que a avaliação envolveu critérios como aplicabilidade e factibilidade, além da importância em dialogar e facilitar a participação dos moradores do bairro como forma de empoderamento local. “Nesse sentido, optamos por um ‘projeto-bandeja’, que permite um desdobramento em outras possibilidades colaborativas. É importante dizer que todas as equipes presentes já são premiadas. Aquela vencedora é a mais porosa, permeável e capaz de receber outras contribuições”.

Entre os critérios utilizados para avaliar as equipes estão a dimensão inovadora da proposta; o potencial de criação de valor social da intervenção na região específica, a exequibilidade do projeto e sua replicação; a incorporação das especificidades sociais, culturais, geomorfológicas e ambientais de cada passagem assim como dos agentes locais como fornecedores, produtores e mão de obra; além da adequação da proposta enquanto resposta aos desafios expostos pelo concurso.

Uma das pranchas ilustrativas do projeto desenvolvido pelo Estúdio+1

Abaixo, conheça um pouco mais sobre as propostas finais de acordo com o júri.

Latitude 21Daniel Nardini Marques e Arthur da Silva Bignelli
O projeto final concentrou-se na importância de marcar a passagem “além da passagem”. Houve questionamento das travessias, das transposições e sobre como intervir na hierarquia do tráfico existente.

Permacultoras ColetivasAndréa Conard Muscat, Victor Molina Ferreira, Diogo Menezes da Silva, Veridiana Toledo Rego, Carla Wanessa.
O coletivo projetou em uma visão 
integradora sobre o ciclo completo da água pensando na recuperação fundamental das minas de água e das nascentes. A equipe identificou um potencial de tradução das diferentes formas de se relacionar com a água tendo as passagens como lugares de conscientização social deste elemento.

Estúdio NumenaLuís Felipe Abbud, Barbara Fernandes, Bruna Marchiori, Laura Pappalardo, Iara Freiberg, Roberto Rüsche
O projeto final consistiu nas várias formas de trabalhar a acessibilidade com rede de equipamentos. Promoveu ainda uma conexão com as associações locais além da criação de um mobiliário multifuncional de alta qualidade.

+31Luiza Pires Fujiara Guerino, Johny Katsumi Takehara , Débora Jun Portugheis, Gabriela Pedroso Chimello, Beatriz Mayumi Toma, Lais Boni Valieris, Evelyn Harumi Tomoyose, Larissa Gabriela Germano Ragaini
O projeto foi baseado na construção de um equipamento a partir de uma referência local (tijolo ecológico produzido na região), utilizando um processo pedagógico. O ponto forte da proposta foi a construção de um uso de espaço altamente versátil.  

Passeia MenininhaMariana Morais, Leticia Sabino, Lis Cavalcante, Germano Johansson, Joshua Shake, Bárbara Bonetto, Mariana Fernandes, Ana Carolina Nunes.
O território passa a ser “passeável”, não apenas através das escadas e sim através de malhas, de itinerários complementares e de trajetos de sinalização que tenham um alcance territorial. O projeto foca em uma construção singular de sinalização das passagens a partir da estratégia de criação de laços e malhas de informação dentro do território.