IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Passagens

Hora de arregaçar as mangas … de novo

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Passada a fase de discussão e mão na massa, o trabalho não acaba para o IVM que está finalizando a segunda fase do Projeto Passagens Jardim Ângela, iniciado em 2015.

Segundo a arquiteta, urbanista e paisagista Taícia Marques, coordenadora desta segunda etapa, o trabalho de intervenção do Cidade Ativa (leia) na escadaria do Najamura está intimamente ligado à toda pesquisa. “Analisamos muito o que foi feito no estudo da primeira fase e esse foi nosso ponto de partida. Relemos todos os documentos gerados pelo IVM e seus parceiros para entender a dinâmica territorial e como foram analisadas essas passagens. Daí, viemos para uma observação muito mais ampla”, explica.

Essa fase não se restringirá ao Jardim Nakamura, onde está a escadaria requalificada, saindo quase da área do Capão Redondo, indo até o fundão do Jardim Ângela, abrangendo cerca de 15 quilômetros de extensão. O estudo se baseou nos dois eixos estruturadores urbanos propostos pela Prefeitura, que são o da Avenida Carlos Caldeira Filho e a extensão da Estada do M’Boi Mirim. A partir dessa base, foram estudados quais seriam os pontos aprofundados na análise do que poderia e deveria ser feito na região.

Foram selecionados quatro pontos e partiu-se de um diâmetro de um quilômetro de cada um para se ter uma visão mais ampla do problema. Taícia explica que se tomou como partida a planta da região, vista de cima. Ou seja, os limites estudados serão ainda maiores, pois a área é muito irregular. Daí, o grupo caminhou pelo local, conversou com pessoas e lideranças para entender como essas passagens eram percebidas pela comunidade.

O estudo analisou como as passagens se relacionam com eixos estruturais de grande porte – avenidas, por exemplo – e como elas podem desempenhar seu papel para vencer barreiras de mobilidade. “Nossa ideia é costurar novamente esse território por meio da micromobilidade. Assim, temos um território muito mais acessível e integrado às escalas de transporte e mobilidade, incluindo ônibus, bicicleta, automóvel etc. ou mesmo a pé. Vamos entender e propor como essas estruturas podem ser interligadas sem se tornarem ‘cicatrizes’ da própria região”, esclarece.

Nessa fase será feita somente a análise da situação, sem propor soluções. Também foi feito um aporte ambiental, que não havia na primeira fase, porque há um trecho muito grande que fica em área de preservação de mananciais. Para análise mais profunda, foi escolhida uma passagem em cada um desses quatro pontos, assim será gerado um edital de projeto.

Posteriormente, esse estudo será aberto para discussão com escritórios de arquitetura, planejamento e urbanismo, integrados a pessoas da comunidade e atores não só técnicos, como psicólogos sociais. Essa participação “de fora do meio” proporcionará uma análise além da construtiva, com o que a população efetivamente precisa, entendendo qual o benefício social e ambiental que essa passagem pode proporcionar a esse território. “A ideia é gerar, por meio de microescalas urbanas, como uma passagem, impacto que pode irradiar para seu entorno imediato, conectando o território, de forma mais abrangente às pessoas, aos acessos e ao meio ambiente, retomando processos perdidos pelo histórico local de assentamento”, explica.

Segundo a arquiteta, a partir de agora, com a análise já terminada, o IVM deve criar um concurso para incentivar e viabilizar intervenções urbanas nesses territórios. O estudo servirá para preparar linhas gerais para esse concurso e o que se espera daqui para frente. A ideia é que venham de propostas ações não só revitalizadoras, mas que mexam estruturalmente com os espaços, envolvendo participação da iniciativa privado e do Poder Público. Serão convidados escritórios de arquitetura e urbanismo para propor projetos e ações.

Outro resultado do estudo é servir de protocolo para ser replicado em outras regiões da cidade. “Queremos que ele sirva de base para, por exemplo, Prefeitura entender como as pessoas se locomovem por passagens e a pé, como funciona a micromobilidade dessa região. Quais critérios devem de ser seguidos para se ter uma leitura estrutural do local e para o eixo não ser uma cicatriz, mas que se integre à escala de movimento. O Jardim Ângela acaba sendo um piloto para o futuro”, afiança Taícia, garantindo que isso deve ser feito com visão mais pragmática para organizar o estudo em forma protocolar e de edital para busca de apoios, parceiros e patrocínios.

 

 

 

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