IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

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IVM Internacional participa de livro sobre a genialidade do caminhar

“Le Génie de la Marche” (A Genialidade do Caminhar) é um livro produzido a partir da contribuição de profissionais de diversas áreas, em parceria com o IVM. A publicação, inspirada pelo conteúdo discutido no simpósio realizado em Cérisy, traz o ponto de vista de filósofos, neurofisiologistas, poetas, coreógrafos, geógrafos, designers e economistas sobre a importância e a genialidade da caminhada.

Dividido em quatro partes temáticas por meio de trinta e duas contribuições, o simpósio apresenta discussões sobre a importância da caminhada para a experiência do ser humano na cidade – sob o ponto de vista poético, político, territorial e do conhecimento cognitivo. “Le Génie de la Marche” é uma obra que ressalta a genialidade do corpo humano, que continua a inspirar a tecnologia.

POSFÁCIO

LE GÉNIE DE LA MARCHE APRÉS COUP

MIREILLE APEL-MULLER, diretora do IVM-INTERNACIONAL

 

De qual genialidade estamos falando quando se trata de inovação na mobilidade? Dos engenheiros e técnicos que planejam e desenham os espaços para caminhada, evitando os riscos desta ser reduzida a um mero deslocamento diário compartimentado? O que designers, arquitetos e paisagistas podem fazer para que a caminhada seja gentil, desfrutável, com pausas em pequenos oásis urbanos? Afinal, a caminhada é também se dar ao luxo de parar e resistir ao impulso natural, que é justamente, se mover. A nossa caminhada é onde reside a genialidade do corpo humano e a complexidade do funcionamento do nosso esqueleto. Esse corpo que se alterna entre equilíbrio e desequilíbrio, memória e antecipação, toque ou som – e robô algum consegue reproduzir com fidelidade.

O caminhar, em suas mais diversas atividades. Fonte: Agência Brasil

Hoje, a genialidade do caminhar está em sofisticar e culturalizar algo tão natural ao ser humano: o nosso andar. Nas apresentações do Colóquio de Cerisy, estavam presentes pessoas que reaprenderam a andar e a sentir novamente a ponta de seus pés; a tecnologia segue caminhando a largos passos, buscando ser uma extensão do cérebro humano por meio de smartphones, gps, entre outros – mas também um prolongamento do corpo, via exoesqueletos, próteses e elementos que visam replicar os sentidos do humano.

O conjunto de receptores do sistema nervoso são, ainda, um grande estudo e desafio para a tecnologia. Se por um lado estamos em um planeta cuja velocidade na informação e nos motores é cada vez maior, o corpo humano continua como uma inspiração e referência para os designers de automóveis, por exemplo.

A genialidade da caminhada é o que permanece enquanto nada resta das cidades grandes no mundo, que apenas olham para o futuro.

Times Square antes e depois da pedestrianização. Fonte: Inhabitat

 

A genialidade da caminhada é o que permite poetas, escultores e acadêmicos a absorver o melhor da memória dos lugares – sejam cidades, montanhas, florestas, oceanos – e trazer para o seu trabalho. Para o planejador urbano, a caminhada é uma análise urbanística. Nós devemos à caminhada a responsabilidade de tornar as cidades mais humanas e vivas. O instinto do caminhar, segundo músicos e dançarinos, é o que inventou o ritmo. A genialidade da caminhada é tamanha que podemos descrevê-la em diversos aspectos: a distância em passos, a forma como mexemos nossos braços, a rotação dos ombros, a orientação da nossa cabeça… e assim se compõe o caminhar.

Finalmente, esta genialidade é como uma força interna em cada um de nós que faz nos movimentar e sermos viajantes loucos, “migrantes histéricos”, mas também escritores e músicos itinerantes.

Esta genialidade multifacetada que revelou-se em Cerisy (quando apresentadas pessoas que voltaram a andar) convidou os participantes a transgredir regras e ir além dos limites do senso comum. A caminhada, em si, é um ato que requer sair da inércia e atenção aos múltiplos sentidos: é a própria mudança!

Caminhar e viver os espaços públicos em Lyon, França. Fonte: Grand Lyon

 

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