IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Fábrica do Movimento

Expansão de ciclovias em metrópoles anima negócios

A expansão das ciclovias é uma realidade em grandes centros urbanos do País. Nos últimos anos, com o apelo de um meio de transporte mais sustentável e os engarrafamentos que inviabilizam o deslocamento em algumas áreas de capitais, as bicicletas se tornaram uma opção.

A reboque dos movimentos de ciclistas, prefeituras ampliaram a malha cicloviária. Além de garantir um transporte mais seguro para os adeptos da magrela, essa iniciativa está impulsionando diversos negócios relacionados às bikes.

São Paulo tem vários exemplos. O experiente empresário Clademilson Torres dos Santos, que trabalhou por 22 anos no mercado financeiro, comprou uma bicicletaria. “Aproveitei o momento em que a cidade está discutindo a bicicleta, querendo pedalar e que as ciclovias estão se espalhando para sair do meu antigo emprego e ir atrás do que me faz feliz”, contou Santos. Conhecido como Guga entre os ciclistas, ele trabalhava como superintendente comercial do Banco Safra até 90 dias atrás.

 

ciclista

Com mais vias exclusivas para ciclistas em diversas cidades grandes, lojas de bikes ganharam impulso

“O mercado das bicicletas mudou de forma geral. Estamos percebendo que tem aumentado o ciclista urbano, aquele que quer pedalar para conhecer os locais da cidade ou chegar ao trabalho em um bicicleta estilosa”, afirmou.

Santos abriu a primeira loja há três anos em uma galeria na rua Augusta, já na altura da avenida Paulista. Depois, largou o antigo emprego. Além de aproveitar o momento atual da capital paulista, o empresário resolveu também dedicar-se à nova loja, na rua Peixoto Gomide, no Jardim Paulista, especializada em mountain bike e em outras categorias de ciclismo. “E vamos expandir. Em breve inauguro a terceira loja.”

O empresário afirma que, apesar de faturar menos do que ganhava quando trabalhava na área financeira, sente-se feliz por estar no ramo de que gosta e por ter trocado os ternos e sapatos por camisetas, bermudas e tênis.

O comerciante Victor Hugo Duran Torrico, de 41 anos, sempre trabalhou com pequenos negócios. Quando comprou e assumiu a bicicletaria de um amigo, na rua Doutor Albuquerque Lins, região central de São Paulo, seguiu o conselho do pai, mecânico de bicicletas há 50 anos. “Foi incrível terem feito uma ciclovia na frente da minha loja 15 dias depois da inauguração. Hoje, a clientela está ligada a essa faixa. Muita gente traz a bicicleta que estava parada havia anos para arrumar. Outros compram modelos novos.”

Ao assumir o comércio, a expectativa de faturamento mensal era de R$ 8 mil, o mesmo que o antigo dono ganhava mensalmente. Com a ciclovia, o caixa de Torrico registra R$ 20 mil por mês.

Dono de uma pequena oficina na rua Doutor Carvalho de Mendonça, também no Centro, o mecânico José Edmilson da Silva, de 53 anos, conhecido como Bigode, arrumava bicicletas todos os domingos no Minhocão. “Eu fazia serviços como troca de pneu e corrente. Cobrava no máximo R$ 30,00.”

Agora, aos domingos, ele não precisa mais ir até os ciclistas. “Eu deixo uma placa lá no Minhocão e eles vêm até aqui empurrando a bicicleta. Às vezes, faço o resgate de moto.” Silva também está trabalhando mais. “Antes das ciclovias, eu montava três bicicletas por mês, mesma quantidade que tenho feito por semana. O movimento melhorou em 30%.”

“Geralmente, arrumo bicicletas que estavam abandonadas de gente que resolveu pedalar após a criação das ciclovias”, afirmou Silva. Enquanto a reportagem conversava com ele, na semana passada, quatro clientes foram até o local retirar as bicicletas. “A maioria dos clientes mora no Centro e está indo trabalhar de bicicleta.”

Escola no Parque Marinha ensina os adultos a pedalar

biciescola

BiciEscola concorre a prêmio do Instituto Cidade em Movimento

O projeto BiciEscola Parque Marinha funciona em Porto Alegre desde janeiro do ano passado e ensina adultos a pedalar. A ação está concorrendo ao Prêmio Mobilidade Minuto, promovido pelo Instituto Cidade em Movimento. A distinção contempla iniciativas realizadas em favor da melhoria da mobilidade urbana.

A BiciEscola Parque Marinha oferece cursos a adultos que aprendem a andar de bicicleta. Nesses 21 meses de operação, o projeto já permitiu que mais de 650 pessoas participem de quatro aulas gratuitas. A iniciativa resgatou o uso do Velódromo do Parque Marinha, espaço público que se encontrava praticamente abandonado até então.

A BiciEscola concorre na categoria Qualidade do Espaço Público da Mobilidade. No total, são seis categorias decididas pelo corpo de jurados e um prêmio especial de inovação em mobilidade, a ser definido por voto popular na internet. Os vencedores do prêmio serão anunciados na próxima quinta-feira, e o projeto concorre com iniciativas de todo o País.

A BiciEscola Parque Marinha é impulsionada pelas organizações não-governamentais Centro de Inteligência Urbana Porto Alegre e UrbsNova, da loja Dudu Bike, com apoio da prefeitura de Porto Alegre. Participam do projeto as secretarias municipais de Governança e de Esportes, além da Empresa Pública de Transporte e Circulação, Runna Bikes e patrocínio de Banco Itaú.

O Instituto Cidade em Movimento é uma associação sem fins lucrativos com sede na França – Institut Pour La Ville em Mouvement —, instituição criada em 2000.

Fonte: MOBILIDADE URBANA Notícia da edição impressa de 23/10/2014  – Jornal do Comércio – RS

Pular para a barra de ferramentas