Ciclo S.A: o graffiti como ferramenta de autoestima e empoderamento

Foi em uma das passagens no Jardim Ângela, durante a fase de pesquisas, que a equipe do IVM conheceu os artistas da Ciclo Social Arte. De um encontro inesperado surgiu uma parceria forte para o concurso Passagens, que se estende até hoje, na fase do workshop internacional. Michel Onguer e Helton Silva acompanharam todo o processo de pesquisas no bairro e visitaram as passagens junto com as equipes finalistas, no primeiro dia de oficina,  contando as suas experiências e a expectativa em relação às propostas.

“Esperamos que as equipes consigam desenvolver multiplicadores: que envolvam os moradores e que sejam uma semente para levar as propostas a outras passagens. O bairro precisa descobrir que isso possível; o impossível já está presente na nossa comunidade”, comenta Michel.

O coletivo formado por seis pessoas, entre artistas e produtores culturais, nasceu no Jardim Nakamura, Zona Sul de São Paulo. O objetivo principal é desenvolver projetos que transformem espaços por meio do graffiti como ferramenta de imaginação e resgate de autoestima dos bairros da periferia. A Ciclo S.A acredita que a produção de murais coletivos vai muito além dos muros: transforma o ambiente e convida a comunidade a se tornar protagonista da própria história, deixando um legado a longo prazo e uma potência de transformação e empoderamento.

 

Foi neste passagem do Jardim Nakamura que a equipe de pesquisas do IVM encontrou os artistas do coletivo. Crédito: Divulgação Ciclo Social Arte

“Foi interessante a pesquisa realizada pelas equipes do Passagens, porque trouxe novas informações e estudos sobre o bairro. Nós, que geralmente atuamos de dentro para fora, conseguimos ter ideias com os estudos que vieram de fora para dentro”, acrescenta Helton.

Em 2015, durante o processo, o IVM junto com o Cidade Ativa e a parceria da Ciclo S.A e de outras organizações locais realizaram a ação Olha o Degrau: uma experiência de revitalização de uma das passagens no Jardim Ângela, muito próxima a da Menininha. Lá, foram pintados grandes murais com artistas locais, reforma da escadaria e construção de mobiliário urbano. Michel conta que esta ação simples, que envolveu a comunidade, transformou a realidade da região até hoje: “quando antes as pessoas passavam aqui correndo, hoje as famílias convivem com o local e as crianças brincam e fazem até fila no escorregador que foi instalado”.

(Crédito da foto de capa: Caco Konzen)