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Burning Man Festival e sua relação com o futuro das cidades

Todos os anos desde 1986, a partir da última segunda de agosto até a primeira segunda de setembro, o deserto de Black Rock (Nevada, EUA) recebe o Burning Man Festival, um dos maiores festivais de contracultura do mundo. O que isso nos ensina em termos de mobilidade?

Em 2016 o festival reuniu cerca de 66 mil pessoas. A cidade que se ergue para abrigar dezenas de milhares de pessoas ano após ano oferece diversas atrações: são festas, exposições, instalações artísticas, pavilhões, atividades comunitárias e até desfile de carros alegóricos que desafiam a imaginação do espectador. No período de uma semana a cidade surge e então desaparece completamente, sem deixar qualquer rastro da sua breve existência.

O conceito por trás das “estruturas efêmeras” parece se perpetuar em diferentes tempos e escalas desde a antiguidade, com o advento das primeiras feiras livres, à experiências mais recentes como a utópica “Instant City” do grupo Archigram na década de 70, até a contemporaneidade que apresenta acontecimentos como o Burning Man Festival, e em condição diversa de extrema necessidade, os campos de refugiados, atualmente espalhados pelo globo.

São estruturas temporárias que atendem às necessidades de uma sociedade que tem deixado de buscar o que é determinado, fixo, perene, por vontade própria ou imposição. O futuro das cidades aponta para uma aspiração cada vez maior pela possibilidade de mutação e mobilidade dos lugares, indivíduos e suas respectivas experiências. O entendimento de que o urbanismo caminha para uma compreensão antropológica das cidades passa a ser, portanto, fundamental.

À medida que o comportamento humano, individual e coletivo encontra sua expressão na construção de espaços experimentais na escala urbana, um novo paradigma se apresenta àqueles que pensam a cidade: afinal, serão os dados técnicos, as normas e leis que desenharão os cenários futuros ou devemos contar com a imprevisibilidade da vontade humana como fator chave?

É necessário reconhecer as invenções da sociedade que o tempo não apaga, mas perpetua, adapta, transforma. O olhar atento ao presente pode revelar as pistas necessárias para traçar os prováveis cenários urbanos das próximas décadas.

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