IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Fábrica do Movimento

Brasil não motorizado: coletânea traz alternativas para a mobilidade urbana

Mobilidade é sinônimo de motor? Claro que não. Afinal, os grandes transportes motorizados não são mais datados do que poucos séculos para cá. O automóvel se massificou no século XX, por exemplo. E sabe-se que o ser humano está na Terra há uns bons milhões de anos. “Brasil não motorizado”, uma coletânea de artigos de 18 especialistas em mobilidade urbana, é o tema de hoje. A obra discute o espaço público e a relação com os diferentes meios de deslocamento, com ênfase nos que não requerem motor, como as bicicletas e  o caminhar.

A cidade é um espaço de estar, e os nossos destinos são mais vivos se articulados entre si. A trajetória das cidades vem se transformando – e temos alguns expoentes que seguiram políticas positivas ao pedestre nas últimas décadas. O exemplo que temos em diversos locais é o conhecido calçadão.

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VIAS EXCLUSIVAS PARA PEDESTRES E OS CALÇADÕES CURITIBANOS

Ivo Reck Neto, um dos coordenadores da coletânea, discorre sobre as iniciativas implantadas em Curitiba. Enquanto compara com exemplos contemporâneos como o de Buenos Aires (Calle Florida) e o de Copenhague (nome), Reck Neto explica as vantagens de um calçadão. O autor explica que locomover-se a pé é democrático: nem todos conseguem bancar custos de transporte. Além disso, colabora para a redução de níveis de poluição urbana, aumenta a sociabilidade e o fluxo de pessoas no local.

“Tornar vias centrais, que possuíam fluxo intenso de veículos motorizados individuais, em exclusivas para o fluxo de pedestres e, algumas vezes, em espaço compartilhado com o transporte coletivo, com velocidade acalmada, é uma das intervenções com maior destaque em projetos de reurbanização em muitas cidades no mundo” , afirma Ivo Reck Neto

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Calçadão na Rua das Flores, Curitiba

Curitiba é um modelo no âmbito do Brasil, visto que o seu Calçadão na Rua das Flores, implantado na década de 70, ativou a via e hoje caracteriza um dos maiores fluxos de tal tipo no mundo. Além disso, é uma cidade com planejamento que visou a qualidade de vida – descongestionando a área central dos transportes, preservando o Centro, integrando os usos de transporte. Um dos grandes desafios para a cidade brasileira é trazer ao pedestre a visibilidade no planejamento: há poucos dados sobre eles e falta representação. Na Dinamarca, por exemplo, o governo se associou ao Gehl Architects e escolas de arquitetura para realizar estudos com enfoque no pedestre.

AS CALÇADAS DE PEDESTRES, CURITIBA E MADRI – SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Com relação a gestão pública, Roberto Ghidini, um dos autores, discute Madrid e Curitiba, ao comentar a eficiência em ambos os locais ao ter cuidado com o padrão no espaço público; ao mesmo tempo, fomenta a problemática de outras cidades no Brasil, com um planejamento urbano menos cuidadoso e às pressas. Políticas públicas menos incisivas têm gerado cidades descuidadas com relação ao pedestre, que têm uma negligência ao que acontece fora de seu terreno privado.

Madrid

calçada curitiba - autoria pinterest

calçada sp - catraca livre

Na sequência: Madrid, Curitiba e São Paulo

MOBILIDADE NÃO MOTORIZADA E O TRÂNSITO URBANO

Discutindo mobilidade e trânsito, Rosangela Battistella discute o cenário atual das cidades. O automóvel, para o brasileiro, ainda é objeto de status e notam-se cidades estranguladas pelos veículos privados. É preciso viabilizar a democratização do espaço urbano – mais transporte público e intermodalidade. Intermodalidade significa espaço compartilhado e para compartilhar, respeito é necessário. Estamos falando sobre vias que permitam meios leves e positivos ao meio ambiente, como as bicicletas, por exemplo. A autora também defende políticas para chegarmos a esse espaço compartilhado, como fomento a partir de leis e planos eficientes de mobilidade para cada cidade.

A bicicleta, em voga pelas ciclovias instauradas em São Paulo recentemente, está em fervor de discussão; se a política do automóvel a expulsou da rua em certo momento do século XX, desde a crise do petróleo na década de 70 ela voltou a se fortalecer, algo que o autor-coordenador Antonio Carlos Miranda discute em seu texto “A Segurança no Uso da Bicicleta”.

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Via Calma em Curitiba, Paraná

Miranda defende analisar as necessidades da rua para que ela gere espaço compartilhado; cita exemplos em redução de velocidade – e como tal atitude permite a transição entre diferentes meios de locomoção – a importância do design e a informação de vista ou sonora, além das redes de apoio aos transportes alternativos (bicicletários, assistência técnica, articulação com outros meios).

A leitura do livro é instigante e, dentre exemplos do Brasil ou do exterior, surgem reflexões, muito bem fundamentadas por dados, pesquisas e especialistas no assunto. O livro “Brasil não motorizado: coletânea de artigos sobre mobilidade urbana” é da editora LaBmol , Curitiba.

Brasil não motorizado – Coletânea de artigos sobre mobilidade urbana”. Coordenadores Antonio Carlos M. Miranda e João Carlos Cascaes – Editora LaBmol, 2013

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