IVM CIDADE EM MOVIMENTO
A mobilidade é um tema social, não só uma questão de transporte. Para inovar, devemos observar a sociedade em seu conjunto. Instituto Cidade em Movimento (IVM): pesquisas e ações internacionais, soluções inovadoras, conhecimento compartilhado.

Mobilidade Minuto

Aplicativo on-line promove compartilhamento de corridas de táxi no Rio

Que tal dividir uma corrida de táxi com pessoas que se deslocam para o mesmo lugar ou passam pelo mesmo itinerário, na região metropolitana do Rio, e além de contribuir para reduzir o trânsito, economizar combustível e fazer novas amizades? A ideia, ainda pouco comum na cidade, é de um grupo de jovens estudantes e empreendedores que criaram o aplicativo Borajunto Táxi (borajunto.com),de instalação gratuita, para smartphones e tablets. Os sócios são Pedro Dias, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Ticiana Hugentobler, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O projeto recebeu recursos do editalStart-up Rio, da FAPERJ.

No último sábado, dia 8 de novembro, eles embarcaram para o Extremo Oriente, onde apresentarão o Borajunto Táxi na 12ª edição doMichelin Challenge Bibendum, grande conferência internacional sobre inovação, que será realizada em Chengdu, na China. Eles foram os únicos finalistas das Américas classificados no evento, um dos mais importantes sobre mobilidade sustentável. Em outubro deste ano, também ganharam a menção honrosa no prêmio Mobilidade Minuto, promovido pelo IVM – Cidade em Movimento, que tem como objetivo destacar as iniciativas para melhoria da mobilidade urbana em todo o Brasil.

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  Interface do aplicativo tem a aparência das redes sociais mais
utilizadas, com mensagens trocadas em tempo real (Divulgação)

“A interface desenvolvida pelo Borajunto Táxi se assemelha ao formato das redes sociais mais utilizadas, em que os usuários trocam mensagens em tempo real e combinam maneiras de se encontrar, rotas e horários para compartilhar as corridas”, explica Ticiana, administradora e mestranda em Geografia de Transportes, no programa de pós-graduação em Geografia (PPGEO), da Uerj. “A proposta é que o aplicativo reduza custos, estimule a procura por táxis e reduza as filas de espera”, completou.

O programa veio em um momento propício. Afinal, a lei seca, a alta nos preços dos combustíveis e dos seguros automotivos favorecem o uso de táxis para percorrer diversos trechos da cidade. Estudantes, trabalhadores e pessoas em momento de lazer estão se habituando a instalar aplicativos em seus smartphones e a requisitar serviços de transporte individualizado. “Estamos tentando criar uma nova categoria de transporte, usando o táxi de uma forma mais social. Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, diz que a compatibilidade de caminhos entre as pessoas chega a 95% das corridas de táxis”, justificou Ticiana.

A proposta também pode aliviar o bolso de quem anda de táxi no Rio, mesmo sabendo que as tarifas das corridas na cidade ainda estão entre as mais acessíveis do País. Com a bandeirada custando R$ 4,80 e o quilômetro rodado a partir de R$ 1,95, o serviço prestado não é tão barato para todos os usuários. “A estimativa é de que o aplicativo alcance cerca de 25 mil usuários, e se eles acessarem o serviço três vezes ao mês, durante um ano, serão, ao todo, 606 mil corridas. Pretendemos conseguir, com a ferramenta, uma economia de aproximadamente R$ 17 milhões pelo compartilhamento de táxis. Com base no plano diretor de transporte urbano do governo estadual do Rio de Janeiro, no entanto, esses números não representam nem 1% das corridas de táxi realizadas anualmente”, explicou.

O ponto inicial escolhido para o aplicativo foi a PUC-Rio. “A experiência piloto do Borajunto Táxi foi lá. Resolvemos apostar inicialmente no público universitário, que é mais aberto a inovações”, disse Ticiana. Segundo dados obtidos pelos criadores do programa junto à cooperativa de táxi que opera nas imediações da universidade, aproximadamente dois terços das viagens iniciadas ali se destinam à Zona Sul; o restante segue principalmente para Barra da Tijuca e Tijuca.

Ticiana, gaúcha que cresceu em Novo Hamburgo, sentiu o peso do trânsito em seu cotidiano quando se mudou para o Rio e passou a morar em Copacabana, há seis anos. “Na época, fiquei impressionada com o fato de que apesar de as distâncias serem curtas na cidade, mesmo assim o deslocamento é demorado. Sem falar na grande quantidade de pessoas sozinhas em um carro particular ou em um táxi. Isso pode ser otimizado para reduzir o número de veículos atrapalhando o trânsito”, observou. A partir dessa impressão pessoal, ela decidiu se dedicar profissionalmente à mobilidade urbana.

Hoje, a Borajunto Táxi funciona nas dependências da Start-up Rio, inaugurada no bairro do Catete para dar suporte às empresas nascentes e inovadoras apoiadas pelo edital. “Temos acesso a todo o suporte de mentoria do programa e às instalações”, reconheceu. A sede do programa fica em um conjunto arquitetônico tombado pelo patrimônio público, onde já funcionou a Faculdade de Direito da Uerj. O prédio foi cedido pela universidade para a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), desenvolvedora do programa, que, junto com a FAPERJ, fez a reforma.

 

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A ideia inicial é que a fonte de renda dos sócios seja estabelecida a partir da cobrança on-line de 10% sobre a economia gerada mensalmente com o compartilhamento de táxis. “Vamos testar ainda se esse modelo de precificação será absorvido pelo mercado. Não temos a ideia de trabalhar com anunciantes nesse momento”, disse. “No dia 20 de novembro, o aplicativo estará disponível para download gratuito no Apple Store e no Google Play. Até essa data, já teremos aproximadamente cinco mil pessoas cadastradas, com interesse em se tornarem usuárias do aplicativo”, destacou.

Sobre o Start-up Rio

Lançado em 2013, o programa Apoio à Difusão de Ambiente de Inovação em Tecnologia Digital no Estado do Rio de Janeiro – Start-up Rio, destinou um total de recursos da ordem de R$ 5 milhões para o incentivo a 50 propostas, coordenadas por até três pessoas, que vêm recebendo assistência para se transformar, dentro de um ano, em start-ups – empresas nascentes de base tecnológicaO objetivo da iniciativa é difundir uma cultura de inovação tecnológica, criatividade e empreendedorismo no estado do Rio de Janeiro, com base no incentivo a projetos com essas características.

FONTES:  FAPERJ e Site Turismo em Revista

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